Prova Pericial e Vieses Cognitivos: o problema dos quesitos e dos quesitos complementares no processo penal brasileiro
Downloads
Resumo
O artigo aborda o problema dos vieses cognitivos na produção da prova pericial, focando no processo penal brasileiro. A partir da análise descritiva de estudos empíricos realizados, conceitua esses vieses, no que consistem os vieses de confirmação e de contexto, como podem afetar essa prova e o que fazer para limitá-los, analisando se o princípio do contraditório pode servir para tanto. Assim, examina se esses vieses podem afetar a fase de formulação de quesitos – iniciais ou complementares – aos peritos, uma etapa inicial na formação dessa prova, mas que pode colocar em risco seus resultados. Ao final, a partir do tema dos quesitos, pretende demonstrar o risco de tratar a prova pericial apenas por regras processuais que não prestam atenção a esse problema dos vieses cognitivos, o que pode significar que institutos desenvolvidos para melhorar a qualidade das perícias somente aumentem o risco de ocorrência desses vieses.
Palavras-chave
processo penal, prova pericial, vieses cognitivos, princípio do contraditório, quesitoDownloads
Referências
AMARAL, M. E. A. (2023). Entre a ciência forense e o processo penal: um modelo interdisciplinar da cadeia de custódia. D'Plácido.
AMARAL, M. E. A.; BRUNI, A. T. (2023). Prova Pericial no Processo Penal: a compreensão e a mitigação dos erros forenses como mecanismo de respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao direito à prova lícita. Revista Brasileira de Direito Processual Penal, 9(2), 877-912.
BADARÓ, G. H. (2019). Epistemologia judiciária e prova penal. Revista dos Tribunais.
BADARÓ, G. H. (2020). Processo penal. (8ª ed.). Revista dos Tribunais.
COOPER, G. S.; METERKO, V. (2019). Cognitive bias research in forensic science: a systematic review. Forensic Science International, 297, 35-46.
CORRÊA, C. R. (2006). O princípio do contraditório e as provas irrepetíveis no inquérito policial. Revista Brasileira de Ciências Criminais, 14(60), 223-253.
DE PAULA RAMOS, V. (2023). Prova Testemunhal – Do Subjetivismo ao Objetivismo, do Isolamento Científico ao Diálogo com a Psicologia e a Epistemologia. (4ª ed.). JusPodivm.
DE PAULA RAMOS, V. (2025). Prova Documental – Do Documento aos Documentos – Do Suporte à Informação. (4ª ed.). JusPodivm.
DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL. Manual de orientação de quesitos da perícia criminal. 1. ed. Diretoria Técnico Científica, 2012.
DROR, I. E. (2020). Cognitive and Human Factors in Expert Decision Making: six fallacies and the eight sources of bias. Analytical chemistry, 92(12), 7998–8004.
DROR, I. E.; CHARLTON, D; PÉRON, A. E. (2006). Contextual information renders experts vulnerable to making erroneous identifications. Forensic science international, 156 (1), 74-78.
DROR, I. E.; COLE, S. A. (2010). The vision in “blind” justice: expert perception, judgment, and visual cognition in forensic pattern recognition. Psychonomic Bulletin & Review, 17(2), 161-167.
DROR, I. E.; THOMPSON, W. C.; MEISSNER, C. A.; KORNFIELD, I.; KRANE, D.; SAKS, M,; RISINGER, M. (2015). Context Management Toolbox: a linear sequential unmasking (LSU) approach for minimizing cognitive bias in forensic decision making. Journal of forensic
sciences, 60(4), 1-5.
DUCE, M. (2014). Derecho a confrontación y uso de declaraciones emitidas en un juicio previo anulado. Política Criminal, 9(17), 118-146.
DUCE, M. (2013). La prueba pericial: aspectos legales y estratégicos claves para el litigio en los sistemas procesales penales acusatorios. Didot.
DUCE, M. (2022). Los errores, la aplicación al caso y los sesgos cognitivos de los peritos. Em C. Vázquez. (Coord.). Manual de Prueba Pericial (143-184). Suprema Corte de Justicia de la Nación.
EDMOND, G.; TANGEN, J.; SEARSTON, R. A.; DROR, I. E. (2015). Contextual bias and cross-contamination in the forensic sciences: the corrosive implications for investigations, plea bargains, trials and appeals. Law, Probability and Risk, 14(1), 1–25.
EDMOND, G.; FOUND, B.; MARTIRE, K.; BALLANTYNE, K.; HAMER, D.; SEARSTON, R.; THOMPSON, M.; CUNLIFFE, E.; KEMP, R.; SAN ROQUE, M.; TANGEN, J.; DIOSO VILLA, R.; LIGERTWOOD, A.; HIBBERT, D.; WHITE, D.; RIBEIRO, G.; PORTER, G.; TOWLER, A.; ROBERTS, A. (2016). Model forensic science. Australian Journal of Forensic Sciences, 48(5), 496–537.
EDMOND, G. (2020). Regulating forensic science and medicine evidence at trial: It’s time for a wall, a gate and some gatekeeping. Australian Law Journal, 94, 427–438.
FERRAJOLI, L. (2011). Derecho y razón: teoría del garantismo penal. (10ª ed.). Trotta.
FERRER BELTRÁN, J. (2017). Prova e verdade no direito. Revista dos Tribunais.
FERRER BELTRÁN, J. (2023). Valoração racional da prova. (3ª ed.). JusPodivm.
GARRETT, B. (2021). Autopsy of a crime lab: exposing the flaws in forensics. University of California Press.
GARRETT, B. (2011). Convicting the innocent: where criminal prosecutions go wrong. Harvard University Press.
GASCÓN ABELLÁN, M. (2013). Prueba Científica: un mapa de retos. Em C. Vázquez (Ed.). Estándares de prueba y prueba científica: ensayos de epistemologia jurídica (188-201). Marcial Pons.
GIANNELLI, P. C. (2010). Independent crime laboratories: the problem of motivational and cognitive bias. Utah Law Review, 2, 247-266.
GOMES FILHO, A. M. Provas: Lei 11.690. de 9/6/2008. (2008). Em M. T. R. A. MOURA (Coord.). As reformas no processo penal: as novas leis de 2008 e os projetos de reforma (246-297). Revista dos Tribunais.
GOMES FILHO, A. M. Art. 159. (2022a). Em A. M. GOMES FILHO; A. Z. TORON; G. H. BADARÓ, (Coords.). Código de Processo Penal comentado (5ª ed., 469-472). Revista dos Tribunais.
GOMES FILHO, A. M. Art. 160. (2022b). Em A. M. GOMES FILHO; A. Z. TORON; G. H. BADARÓ, (Coords.). Código de Processo Penal comentado (5ª ed., 473). Revista dos Tribunais.
KASSIN, S. M.; DROR, I. E.; KUKUCKA, J. (2013). The forensic confirmation bias: problems, perspectives, and proposed solutions. Journal of Applied Research in Memory and Cognition, 2(1), 42-52.
KIRCHER, L. F. S. (2019). A valoração da prova pericial no processo penal brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Criminais, 27(153), 133-169.
LAW COMISSION OF ENGLAND AND WALES. Expert Evidence in Criminal Proceedings in England and Wales. 2011.
MALAN, D. (2015). Processo Penal aplicado à criminalidade econômico-financeira. Revista Brasileira de Ciências Criminais, 114, 279-320.
MATTIJSSEN, E. J. A. R.; WITTEMAN, C. L. M.; BERGER, C E. H.; STOEL, R. D. (2020). Cognitive biases in the peer review of bullet and cartridge case comparison casework: a field study. Science & Justice, 60, 337-346.
MEDEIROS, F. (2020). Políticas de Perícia Criminal na Garantia dos Direitos Humanos: relatório sobre a autonomia da perícia técnico-científica no Brasil. Friedrich-Ebert-Stiftung (FES).
MOSCATELLI, L. (2023). La importancia de la abducción en la etapa de investigación criminal. Quaestio Facti. Revista Internacional Sobre Razonamiento Probatorio, 5, 125–155.
NATIONAL RESEARCH COUNSIL. (2009). Strengthening Forensic Science in the United States: A Path Forward. National Academies Press.
NATIONAL COMMISSION ON FORENSIC SCIENCE. (2015). Ensuring That Forensic Analysis Is Based Upon Task-Relevant Information. Department of Justice and Department of Commerce.
NUCCI, G. S. (2024). Código de processo penal comentado. (23ª ed.). Forense.
PACELLI, E; FISCHER, D. (2016). Comentários ao Código de Processo Penal e sua jurisprudência. (8ª ed.). Atlas.
PÁEZ, A. (2021) Los sesgos cognitivos y la legitimidad racional de las decisiones judiciales. Em F. J. ARENA; P. LUQUE; D. J. MORENO CRUZ (Eds.). Razonamiento Jurídico y Ciencias Cognitivas (187-222). Universidad Externado de Colombia.
PRADO, G. (2024). Curso de processo penal: tomo I: fundamentos e sistema. Marcial Pons.
PRESIDENT’S COUNCIL OF ADVISORS ON SCIENCE AND TECHNOLOGY. (2016). Report to the President. Forensic science in criminal courts: ensuring scientific validity of feature-comparison methods. Executive Office of the President.
REID, M. A. (2018). CSI Story: the past, present, and future of crime scene collection and what litigators need to know. Wake Forest Journal of Law & Policy, 8(2), 409–454.
SALAVERRÍA, J. I. (2021). Indícios, Duda Razonable, Prueba Científica: Perspectivas sobre la prueba en el proceso penal. Tirant lo blanch.
TONINI, P. (2004). Direito de defesa e prova científica: novas tendências do processo penal italiano. Revista Brasileira de Ciências Criminais,12(48), 194-214.
UNITED STATES DEPARTMENT OF JUSTICE, OFFICE OF THE INSPECTOR GENERAL A Review of the FBI’s Handling of the Brandon Mayfield Case. 2006.
VÁZQUEZ, C. (2023). Guía sobre el contenido de los informes periciales y su impacto en el debido proceso. Consejo de la Judicatura Federal y Escuela Federal de Formación Judicial.
VÁZQUEZ. C. (2022a). Las comunidades expertas y los sesgos cognitivos de los peritos. Em
C. VÁZQUEZ, Carmen (Coord.). Manual de Prueba Pericial (43-94). Suprema Corte de Justicia de la Nación.
VÁZQUEZ. C. (2022b). Los desacuerdos entre peritos y la junta pericial. Em C. VÁZQUEZ, Carmen (Coord.). Manual de Prueba Pericial (95-142). Suprema Corte de Justicia de la Nación.
VÁZQUEZ, C. (2021). Prova pericial: da prova científica à prova pericial. JusPodivm.
VIEIRA, R. Z. (2023). Controle da prova penal: obtenção e admissibilidade. (2ª ed.). Revista dos Tribunais.
Leis e Jurisprudência
Decisões de Tribunais Brasileiros
Agravo Regimental no Habeas Corpus do Superior Tribunal de Justiça (Brasil) 898.724/SP (5ª Turma), de 12 de dezembro de 2024.
Apelação Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Brasil) 0251309-33.2010.8.26.0000 (4ª Câmara de Direito Criminal), de 1º de junho de 2011.
Leis e Diretrizes Normativas
BRASIL. Lei nº 12.030, de 17 de setembro de 2009. Dispõe sobre as perícias oficiais e dá outras providências. (Diário Oficial da União, 18 de setembro de 2009). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12030.htm
Código de Processo Civil (Brasil). (Diário Oficial da União, 17 de março de 2015). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
Código de Processo Penal (Brasil). (Diário Oficial da União, 13 de outubro de 1941). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm.
Decreto nº 42.847 do Estado de São Paulo, de 9 de fevereiro de 1998, dispõe sobre a estrutura organizacional da Superintendência da Polícia Técnico-Científica e dá providências correlatas. Diário Oficial do Estado de São Paulo, 10 de fevereiro de 1998. https://www.al.sp.gov.br/norma/6257
DOI
https://doi.org/10.33115/udg_bib/qf.i11.23228Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Miguel Katz Zagury Fragelli

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.